MASP + Histórias da Infância

Hey!

Na última terça-feira, quando fui para São Paulo, realizei meu desejo de conhecer o MASP. Acreditam que em tantos anos morando pertinho da capital, nunca fui conhecer o museu?! Mas sempre tem uma primeira vez, ainda mais quando você vai no dia que a entrada é gratuita! Hahah

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Logo que entrei fui ver a exposição Histórias da Infância, que estava ocorrendo no primeiro piso. Tinham quadros e esculturas que representavam a infância em várias épocas e locais, inclusive estavam expondo alguns desenhos feitos pelas crianças que visitavam o museu. Uma graça!

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Rosa e Azul – As meninas Cahen d´Anvers / Pierre-Auguste Renoir
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Retrato de menina /Alberto da Veiga Guignard
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Christiane e Anabelle / Liane Chammas 
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O escolar ( O filho do carteiro – Gamin au Képi) / Vincent van Gogh 
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A palavra aos surdos-mudos / Oscar Pereira da Silva

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Não como as pessoas se movem, mas o que as movem / Eva Kotatkova
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Criança Morta / Candido Portinari

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Um texto incrível que estava registrado na parede da exposição:

Há o mito de Orfeu, quando desce ao inframundo para buscar  Eurídice, e Hades lhe permite levá-la, com a condição de que caminhe sempre à frente e não se vire para vê-la até que volte a ser iluminada pelo sol. Orfeu percorre obediente o árduo caminho de regresso e não pode esperar mais; volta-se assim que chega à superfície, sem ter em conta os passos que os separam. O que vê é Eurídice, que desaparece para sempre logo antes de sair à luz. 

E há também a história bíblica da fuga de Sodoma, quando também a Ló e sua família se lhes ordena não olhar para trás. A mulher não consegue partir sem ver a cidade de fora, pela última vez, e é transformada em estátua de sal: os passos estancados, o torso girado, os olhos abertos como querendo engolir tudo, enquanto aguarda a próxima chuva.
 
A ameaça de olhar para trás, a irresistível tentação de fazê-lo e o castigo. Acho que os entendo. Embora ache que, ao olhar para trás, o risco não esteja em fazer desaparecer o que vemos, nem em cristalizar-se quem olha. O risco está em solidificarmos aquilo que alguma vez vimos, ou que então acreditamos ver, e em voltar a andar para a frente carregados dessas imagens coagulada; congeladas, não no momento em que se formam, mas no momento em que as olhamos de novo e decidimos que eram assim. Não nos lembramos de um aniversário, mas sim das fotos desse aniversário, ou do relato de nossa reação diante dos truques do mágico.
 
É possível que seja em função desse perigo mítico de olhar para trás que só se olhe o passado por meio de retrovisores. E assim se escreve a história. A partir de um dia, também histórico e também cheio de guerras, olha-se o reflexo do passado nos rastros que ficaram e decide-se que se entende o que se passou, como se passou o que se passou ou o que se diz que se passou, ou o que se pensa poder ver, nos restos, que possa ter se passado, ou o que o presente resultante nos deixa deduzir que se possa ter passado. E assim se erguem as estátuas de sal, que podem durar anos ou séculos, se não houver tempestade. 
 
Não sei que o tempo seja circular, mas o passado se repete, nós o repetimos, gostamos de contá-lo de novo. E a cena que evocamos daquele aniversário é sempre a mesma. De um dia inteiro de surpresas e felicitações, pinçamos sempre o mesmo momento; um que não sabemos como ou por quem foi escolhido, mas aflora como a cena de Marilyn Monroe segurando o vestido sobre o respiro do metrô, cada vez que se fala ou se pensa naquele aniversário (ou naquele enterro, ou naquele dia sem data).
Assim se escreve a história, menos com a memória e mais por meio do esquecimento. Há muito o que deixar de lado, reiteradamente, para tecer esse encadeamento de sucessos épicos que constrói reconta a história como um álbum de fotos de família. É preciso esquecer consistentemente. Tudo aquilo que não tenha prova manifesta poderia não ter acontecido, e se deixa de mencionar: desaparece dos livros, das anedotas, das perguntas; e é, então, que já não poderá mais ter acontecido. E vai restando um só relato. De todas as histórias possíveis, escolhe-se uma fábula. A do astrólogo que, de tanto caminhar olhando as estrelas, cai no poço? Ou a de Pedro que, de tanto repetir um lobo inventado, já ninguém lhe dá ouvidos quando o lobo é de verdade está faminto?
 
Talvez uma forma de poder escrever outra história seja de aproximar do passado por meio de novos reflexos, encontrar pistas intactas. Não intactas como incólumes, ao contrário,  precisamos dos documentos que foram guardados sem cuidado e puderam ir se transformando às escondidas. Esses que continuaram vivos sem testemunhas e estão agora um pouco sujos e um pouco rasgados, mas como novos. Os discretos, que souberam ficar calados cada vez que podíamos te-los feito reluzir como estatuetas ou a fundar para sempre nas trevas. Aqueles que conseguiram passar despercebidos e puderam, assim, conservar a estranheza. Os que não aprendemos a olhar e só podemos ver com desobediência, com a urgência inconsequente de Orfeu e de Edite, ou a fome de um lobo que há muito se espera. 

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E claro, fui ver o acervo fixo do MASP, que estava lindo com esses cavaletes de cristal! Na verdade, eles já estavam presentes na inauguração do museu, em 1968, mas foram retirados em 1996, voltando a ser colocados no final de 2015.

É uma experiência bem diferente, já que fica muito mais dinâmico para observar as pinturas, até mesmo quando o museu estiver cheio. Outro ponto interessante é que o nome da tela e do pintor, assim como sua história, ficam do lado de trás dos quadros, então ao entrar no local não tem aquele “gostar antecipado” só por saber que é um artista famoso, por exemplo. Te dá a oportunidade de olhar todos com um mesmo olhar, sem preconceitos.

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Diana Adormecida / Giuseppe Mazzuoli 
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Cristo Abençoador / Jean-Auguste-Dominique Ingres
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Passeio ao Crepúsculo e Banco de Pedra no Asilo de Saint-Remy / Vincent van Gogh
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Busto de Homem / Pablo Picasso 
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O Torso de Gesso / Henri Matisse
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Moça com livro / José Ferraz de Almeida Júnior

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Par de Guerreiros Chineses

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Aah… a Av. Paulista ❤

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O MASP funciona de terça a domingo: das 10h às 18h; quinta-feira: das 10h às 20h

Ingressos: R$ 25,00 e R$ 12,00 (meia-entrada) sendo que às terças-feiras a entrada é gratuita!

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Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho mais junto comigo!

Até o próximo post ❤

 

Um comentário em “MASP + Histórias da Infância

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