Astronauta ou super-herói?

 

Na última segunda feira, enquanto colocava a conversa em dia com uma amiga, ela me contou um episódio um tanto quanto curioso, e que não pude deixar de me identificar. No final de semana, enquanto ela pedia o almoço num shopping, reparou que era sempre a indecisa da família, enquanto todos já haviam escolhido o pedido, lá estava ela relendo o cardápio pela terceira vez por baixo dos olhos apressados da garçonete.

Massa ou carne? A massa é o carro chefe da casa, e vim aqui com o pensamento naquele nhoque com molho branco, que sempre me deixa com água na boca… Mas e essa carne que nunca tinha visto por aqui antes? E ainda vem acompanhada de fritas com cheddar… E agora? Ok, vamos pensar primeiro no suco, laranja ou maracujá? Preciso me acalmar, vai um de maracujá…mas com água ou leite? Um copo ou já peço uma jarra inteira? Como diria Drummond: “E agora, José?”

Não que eu acredite muito em signos e essas astrologias, mas indecisão é um dos pontos fortes de qualquer geminiana. Escolher o prato num restaurante? É só uma das centenas de dúvidas diárias que demoro a me decidir. Pode até parecer simples, mas a incerteza vem até na hora de escolher em qual degrau da escada rolante irei pisar, ou em qual fila do mercado vou passar, incertezas de instantes, mas que não deixam de me incomodar por menor fração de segundos que tenho que me preocupar com elas.

Esse poder de escolha pode ser meio cansativo, se tratando das coisas simples do cotidiano, mas quando se trata de assuntos mais sérios, diria que se torna algo até assustador. Quando se é criança, ficar vagando em pensamentos quando te perguntam o que quer ser quando crescer é até muito divertido, independente do quão alto você sonhe e de quão louca seja sua resposta, está tudo bem. Até que você cresce. Agora fica sério e é como se tudo passasse extremamente rápido e te obrigassem a fazer decisões tão importantes num piscar de olhos, além do mais, não é mais tão legal responder que quer ser um super-herói ou tão mais realista dizer que quer ser um astronauta.

Você fica contente que mais opções de escolhas se abriram pra você, pode escolher a faculdade que irá e também o curso, ou pode também escolher não ir para a faculdade. Já começar a trabalhar ou, quem sabe, começar a fazer umas aulas de culinária, dança, e até de violão. Um intercâmbio para a Austrália também seria bem vindo, ou ,que tal, para o Japão? Montar uma banda, entrar num time de vôlei, começar a fazer Karatê. Pode continuar em casa, ir morar sozinho, alugar um apartamento, ficar com a galera numa repúblia ou até não ter casa fixa, comprar uma kombi e sair sem destino pelo Brasil. Mais escolhas e decisões que te deixam perdido, e as vezes até querendo ter mais umas vidas para que, em cada uma delas, pudesse montar um roteiro novo e diferente de destinos a seguir.

Escolher é bom, mas vem sempre acompanhado de um receio enorme. No meio de tantas opções, quem sabe, dá até vontade de voltar a ser criança e não ter mais que escolher tanto assim, quando a única preocupação, na verdade, era escolher entre o super-herói e o astronauta.

Não há como doer pra decidir, só dizer sim ou não…mas você adora um “se”. – Djavan

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