Resenha: Eleanor & Park

Título: Eleanor & Park

Autora: Rainbow Rowell

Editora: Novo Século 

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Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente ao popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, “grande” (ela pensa em si própria como gorda), ruiva, sempre vestida com roupas estranhas, é a filha mais velha de uma problemática família.

Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impedem que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths.

Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a partir corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Este livro irá levá-lo de volta aos dias de frio na barriga, quando achava que todo o peso do amor e da paixão que sentia que iria sufocar você, e quando apenas um segurar de mãos já era suficiente para fazê-lo andar nas nuvens.

Pense num livro que irá te prender do começo ao fim, te cativar aos pouquinhos e não vai te deixar parar mais até que vire a última página, pois então, seja bem-vindo ao Eleanor & Park.

A história se passa na década de 80 e relata a vida de dois jovens de 16 anos: Eleanor, uma garota ruiva, que vive numa família grande, pobre e super desestruturada, sofre bullying na escola, usa roupas estranhas e tem problemas para lidar com o próprio corpo. Park, um garoto meio termo na escola, não faz parte dos populares mas também não sofre bullying por eles, gosta de quadrinhos e é diferenciado pela descendência coreana e por conta disso é conhecido como o “mestiço” do bairro/escola.

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Em cada capítulo o livro é dividido pelos pensamentos de Eleanor e pelos de Park, o que nos aproxima muito dos personagens, mesmo tendo uma escrita em terceira pessoa.

O início conta sobre o primeiro contato entre os garotos no ônibus da escola, a rotina que eles partilhavam sentados juntos no mesmo banco e uma certa afinidade que começaram a descobrir entre eles, as primeiras palavras trocadas, música compartilhada e até toque das mãos. Cada detalhe escrito de uma forma bem leve e com muita delicadeza, mostrando de forma doce a ingenuidade e beleza de um primeiro amor.

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A trama vai se desenrolando e o desenvolvimento da relação das personagens,  e até o desenvolvimento delas próprias, aborda questões importantes de serem discutidas hoje em dia, como a violência doméstica e o bullying. Além disso, Rowell consegue passar muito bem ao leitor a confusão de pensamentos que o casal sofre, e de como a situação que eles passam traz resultados diretos nas suas ações e decisões, principalmente se tratando de Eleanor.

Essa mistura da fragilidade e inocência do amor com a violência e o medo das relações familiares torna o livro contagiante e intenso. Te envolve de uma forma marcante com as personagens, e te faz sentir uma empatia muito grande por elas. Uma história realista, agridoce ( a melhor palavra que achei para definir esse misto de emoções hahah) e que, te garanto, no final irá levar um pedacinho do seu coração.

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* ” Então – ele começou, antes de pensar no que diria em seguida. – Você curte Smiths?”

E como se não pudesse ficar melhor, as referências musicais são incríveis! U2, The Smiths e Beatles, fala sério, que gosto musical maravilhoso hahaha anotei cada  música mencionada  e logo fui escutar novamente quando o livro terminou 🙂 

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Como de costume, alguns trechinhos que eu mais gostei:

“Park não conseguia pensar numa forma de se livrar dela no ônibus. Ou de si mesmo.”

“Por algum motivo, não queria ler na frente dele. Seria como deixar que ele assistisse a ela comendo. Seria como… admitir alguma coisa.”

“E, o melhor de tudo, tinha as canções de Park na cabeça. E no peito de alguma forma.”

“Havia algo nas canções daquela fita. Eram diferentes. Causavam um aperto no peito e na barriga. Havia algo de excitante, e algo de angustiante. Faziam Eleanor se sentir como se tudo, como se o mundo, não fosse o que ela pensava ser. E era uma coisa boa. Era a melhor coisa de todas.”

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“Ele a fazia sentir como se ela fosse mais do que a soma de suas partes.”

“Se lhe mostrasse o quanto precisava dele, ele sairia correndo.”

“Havia no mundo lugar tão horrível aonde ela não iria para ficar com ele?”

“Assim que ele disse isso, ela abriu um sorriso. E, quando Eleanor sorriu, alguma coisa se partiu dentro dele. Isso sempre acontecia.”

“Eleanor tinha razão. Não tinha boa aparência. Era como uma obra de arte, e arte não deve ter boa aparência, mas sim fazer a gente sentir alguma coisa.”

“É como se você tivesse levantando todos esses muros esquisitos a seu redor, como se você quisesse que eu conhecesse só um pedacinho de você…”

“Era como se suas vidas fossem linhas que se entrecruzavam, como se gravitassem em torno um do outro. Geralmente, esse serendipismo lhe parecia a maior dádiva do universo.”

“Ele a mantinha tão próxima que não havia como se esconder. Não havia como ficar tensa ou se fechar ou manter segredos.”

“E ele esperava que a sensação fosse tipo céu, mais Nirvana, mais aquela cena de A Fantástica Fábrica de Chocolate em que Charlie começa a voar.”

“Porque Park era o Sol, e essa era a melhor maneira de explicá-lo.”

“Se você mesma não pode salvar sua própria vida, vale a pena alguém salvar?”

“A gente acha que abraçar uma pessoa com força vai trazê-la mais para perto. Pensamos que, se a abraçarmos com muita força, vamos senti-la incorporada em nós, quando estivermos longe.”

“Ele parou de tentar trazê-la de volta. Ela só voltava quando bem entendia, em sonhos e mentiras e déjà-vus partidos.”

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A resenha em vídeo:

 

Espero que tenham gostado!

 

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