Resenha: Os 13 Porquês

Título: Os 13 Porquês

Autor: Jay Asher 

Editora: Ática

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Para Clay Jensen, as fitas cassete gravadas por Hannah Baker não têm nada a ver com ele. Hannah está morta. E seus segredos devem ser enterrados com ela. Só que a voz de Hannah diz a Clay que o nome dele está em uma das histórias dessas fitas – e que ele, de alguma maneira, é responsável por sua morte.

Tomado por espanto, angústia e muito medo, Clay permanece escutando as gravações madrugada afora. Ele segue as palavras de Hannah pelas silenciosas ruas de sua cidade…

…E o que ele descobre, muda sua vida para sempre.

Imagine-se em um dia normal, como todos os outros, até que você chega da escola e uma encomenda te espera na porta de sua casa, endereçada à você, contendo 6 fitas cassete de uma menina da sua sala (que você gostava!) que se suicidou há alguns dias. Loucura não é mesmo? Mas é exatamente isso que acontece com Clay Jensen, quando recebe as fitas gravadas por Hannah Baker.

A garota gravou 7 fitas (todas enumeradas e com um lado A e B, exceto a última) dizendo 13 motivos por ter se suicidado, ou melhor, 13 pessoas que a fizeram tomar essa decisão. A regra era básica: escutar todas as fitas e depois enviá-las para a pessoa que aparece depois de você nos áudios. Estranhamente…Clay está no meio delas.

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Ele rouba o walkman de um amigo e sai madrugada a fora andando pelas ruas da cidade escutando a história de Hannah, já que ela tinha pedido também para escutar as fitas enquanto visitava os locais citados por ela no áudio. Inclusive ela havia colocado no armário de cada pessoa mencionada nas fitas, um mapa com todos os lugares já marcados, e que você também pode acompanhar e se localizar olhando ele na parte interna da capa.

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A maneira que o livro é escrito é muito bacana, as falas da menina em itálico e as dele com fonte normal, possibilitam que você entenda o ponto de vista de ambos os narradores, também toda vez que ele pausava, parava ou continuava as fitas, aparecia os símbolos do walkman, o que contribui para deixar o livro, de certa forma, mais interativo com o leitor.

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E de uma coisa pode ter certeza, você vai ficar com o coração na mão do começo ao fim do livro. Por se tratar de um assunto forte e “comum” nos dias de hoje, você consegue linkar com várias passagens da sua própria vida, e até se identificar com alguma das histórias de Hannah. Confesso que no início achava alguns motivos meio “bobos” e pensava comigo: “Sério que você se suicidou por causa disso?”, mas só quando a história vai se desenvolvendo que você consegue compreender o contexto, e como ela mesma diz, é tudo uma “bola emocional”, pode começar de algo pequeno mas vai ficando grande, grande, grande, até que chega uma hora que estoura. E foi isso o que aconteceu com Hannah Baker.

É uma angústia tão grande dos narradores que você acaba pegando um pouco para você, já no meio do livro eu só queria abraçar a Hannah, falar que tudo ia ficar bem, torcer para que no final acontecesse alguma reviravolta e ela estivesse viva misteriosamente. Mas não é assim. Esse é o grande problema, simplesmente acaba. Clay poderia se lamentar o máximo que fosse, mas mesmo assim não conseguiria trazê-la de volta. O que faz você mesmo se arrepender no lugar dela, pois ela tinha tudo, e poderia melhorar, tinha apoio para isso, mas mesmo assim fez sua escolha. Tem uma frase que diz bem isso: “A morte é fácil, tranquilo. A vida é mais difícil.” acho que ela por si consegue resumir grande parte do livro.

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Acho que seria uma ótima dica para as escolas trabalharem com ele, e com certeza recomendo para todos, mesmo sendo um pouco angustiante, o final te traz esperança e te alerta para ser mais atento e delicado com esse tipo de situação. Nas últimas páginas tem 13 perguntas para Jay Asher, onde o autor responde dando sua opinião e explicando um pouco de como foi escrito o seu romance de estreia, uma frase que achei interessante que ele diz e que devemos levar para nós mesmos é: “(…) é importante estarmos conscientes do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém parece ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor. As pessoas tem impacto na vida dos outros; isso é inegável.” 

Isso me lembrou uma frase do John Green em Quem é Você Alasca: “Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos.”  E que fique para refletir 🙂

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“Sei que você não tinha intenção de me magoar. Na verdade, a maioria de vocês, que estão ouvindo as fitas, provavelmente não tinha ideia do que estava fazendo… – do que estava realmente fazendo”.

“Mas eu precisava, sim, Hannah. E queria. Eu poderia ter ajudado. Mas quando eu tentei, você me empurrou para longe.

Quando posso ouvir a voz de Hannah falando o que estou pensando: ‘Então, por que você não tentou com mais insistência?”

“Quando vocês tentam ajudar alguém e descobrem que essa pessoa está sem condições de ser ajudada, por que, em algum momento, acabam jogando isso na cara dela?”

“O problema é que não ficamos sabendo o que realmente sentem as pessoas com as quais convivemos.”

“Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros – que não são realmente como nos sentimos -, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar.”

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“Eu odiava a poesia até que me ensinaram a gostar dela. Ele me falou para ver a poesia como uma charada. Cabe ao leitor decifrar o código, ou as palavras, baseando-se em tudo o que sabe sobre a vida e as emoções.”

“Se você escuta uma canção que te faz chorar quando você já está cansado de lágrimas, não a escuta mais.

Mas não dá para fugir de si mesmo. Não dá para tomar a decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá para  tomar a decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça.”

“Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo é afetado.”

“Mesmo que eu tivesse uma história naquele lugar, não importava. Não dá para voltar atrás, para o jeito que as coisas eram. Do jeito que você pensava que elas eram. Tudo que a gente realmente possui…é o agora.”

“Eu não esqueci. Se há uma coisa que ainda tenho é memória. O que é péssimo. Se eu esquecesse as coisas de vez em quando, todos nós estaríamos um pouco mais felizes.”

“Estava fraca demais para caminhar. Pelo menos, foi o que achei. Mas, na verdade, estava fraca demais para tentar.”

“Sei lá, talvez algumas pessoas sejam simplesmente mais precondicionadas a pensar nisso que outras. Porque toda vez que acontecia alguma coisa ruim, eu pensava nisso.

Nisso? Tudo bem, vou dizer a palavra. Eu pensava em suicídio.”

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“Uma enxurrada de emoções corre dentro de mim. Dor e raiva. Tristeza e pena. E, mais surpreendente de todas, esperança.”

Espero que tenham gostado da resenha e se inspirado para lerem também!

Bjss  ❤

2 comentários em “Resenha: Os 13 Porquês

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